sábado, 13 de junho de 2009

Mestre do Slide com Paulo Silva

Paulo Silva é um músico espetacular, que saiu das nossas terras para se aventurar na Austrália.

Graças à internet encontrei este talento e agora trago ele para mostrar um pouco do seu maravilhoso som.

TB: O Weissenborn Guitar não é um instrumento muito fácil de achar no Brasil. Qual foi seu primeiro contato com o Weissenborn Guitar? Você já tocava outro instrumento?

PF: "Concordo, o Weiss é praticamente inexistente no Brasil. Sempre curti Ben Harper e esses caras, mas nunca tentei tocar o slide. Quando vim para a Austrália comecei a tocar em alguns bares e me apaixonei por Delta Blues e por aqueles caras dos anos 20, 30, 40 e 50. Eu cai de joelhos quando descobri aquela musica.

Eu toco Violão desde os 14 anos de idade, mas eu sempre tocava com a afinação normal... confesso que chegou um momento em que ficou monótono. O Blues veio e começou a mudar a minha musica.

Dai eu me deparei com Blind Willie Johnson, pra mim o maior nome no slide guitar até hoje. Eu tive uma experiência sobrenatural ouvindo aquela musica. Eu tinha acabado de me mudar para a Austrália e estava começando a aprender Inglês.... foi fantástico estar no ano de 2007 e entender a mensagem de um cara que foi gravada em 1921.

Sobrenatural, Blind Willie Johnson era cego, muito pobre e usava a musica para pregar o Gospel...tocava slide com tamanha precisão, decidi "vou tentar!". Foi uma das melhores decisões que eu fiz na minha vida. Toco a apenas dois anos, mas sei que comecei a tocar na hora exata... tudo tem seu tempo."

TB: Como você afina o Weissenborn Guitar? O seu Weissenborn Guitar tem alguma característica especial? Ele é elétrico?

PF: "Então brother, eu uso mais ou menos seis afinações diferentes. Sou apaixonado por CBCCBC, DADDAD, GBDGBD, FAEFAE... tem mais um montão. Consegui achar na Internet mais de 60 afinações diferentes... aí, fui lá e tentei uma por uma, algumas não fazem sentido algum, mas outras são fantásticas!

No momento eu tenho um Marlon Chiquinato Weissenborn Style 4, esse é feito todo em Mogno e tem um som animal!. Eu acabei de adquirir um novo instrumento, é um Oahu Squareneck Guitar, também em Mogno e feito em 1937... esse instrumento é um sonho. Confesso que estava sonhando em adquirir um desses a dois anos, finalmente consegui!. Agora estou me preparando para adquirir um Rickenbacker B Model elétrico, outro de 1937. Esse seria o meu setup perfeito, dois acústicos e um elétrico.

Falando em setup, também uso um BBE Acoustimax para o Weiss e Oahu, é um preamp bem legal. Uso K&K Sound Ultra-Pure Western pickups nos dois, fiquei surpreso com a fidelidade de reprodução do som. Cordas, uso Elixir... elas duram de 3 a 5 vezes mais que as cordas normais, vale a pena."

TB: Como foi que você foi parar na Austrália? Qual é a rotina de shows por ai? Como é o publico?

PF: "Austrália, foi um pouco louco o que aconteceu. Conheci minha esposa no Brasil em 2003, ela voltou para a Austrália enquanto eu fiquei no Brasil até o fim de 2005. Foi aí que mudei pra cá e recomecei a tocar, eu estava meio parado com musica mas quando cheguei aqui vi que as pessoas amam a Musica Brasileira e minha esposa me incentivou a ir e tocar em bares. Confesso que as minhas pernas tremiam ahaha.

A cena musical na Austrália é muito competitiva, mas do que no Brasil na minha opinião. Acredito que pelo fator econômico. Aqui os impostos são mais baixos, então você consegue comprar bons instrumentos, pedais e etc.,. Então, todo mundo que gosta de musica tenta ser musico.

O publico aqui é bem receptivo, quando eu falo:"Meu nome é Paulo Silva, vim do Brasil para tocar algumas musicas para vocês", as pessoas param de conversar e começam a ouvir aquilo que você vai tocar. Tem pessoas aqui em Melbourne que nunca viram um brasileiro antes!, então o publico vem, conversa com você, pergunta sobre o Brasil e etc.,.

Ser brasileiro fez com que algumas portas fossem abertas. Estou sempre tocando Ao Vivo em programas de Radio e já participei em um programa de TV. Resumindo, competitivo mas estamos andando pra frente aos poucos."

TB: Com quem você toca ai na Austrália? Foi fácil montar uma banda?

PF: "No momento toco o meu show sozinho. Eu tenho algumas parcerias com bateristas na região onde vivo, mas apenas uso bateria em shows maiores. Aprendi aqui que fazer contatos é muito, mas muito importante... por isso sempre colaboro nos shows de outros músicos. No momento, quando não toco sozinho, eu estou dividindo o palco com Will Berg, Ewan Cloonan, Eden Parris, Dave Walker Band e The Hannafords."

TB: Você tem algum projeto para lançar um material próprio?

PF: "Sim. Tenho uma quantidade enorme de material para ser lançado. Estou juntando fundos para fazer uma boa pre-produção, gravação, mixagem e espero que até o fim de 2009-inicio de 2010 eu consiga entrar no estúdio e gravar meu primeiro álbum..... tenho que fazer isso logo, já vou completar 30 anos de idade!

Tenho um outro projeto bem interessante. Juntei músicos do mundo todo para lançar um álbum digital com musicas originais. É um projeto que será lançado até o fim deste ano e conta com músicos do Brasil, Franca, Itália, Estados Unidos, Austrália e mais alguns paises que estamos negociando. A idéia é deixar o Álbum disponível para download de graça ou pago. Você escolhe. Com certeza darei mais informações no futuro."

TB: Paulo, obrigado pelo carinho e por dedicar seu tempo respondendo para o Blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

PF: "Eu que agradeço Roberto e leitores do Blog. Me sinto honrado em poder responder as suas perguntas. Gostaria de mandar um abraço a todos no Brasil e pedir a vocês que continuem apoiando os músicos independentes no Brasil e no Mundo.

Aguardo a sua visita no meu website, myspace e youtube channel. Ficaria muito feliz de me corresponder com outros músicos.

Abraço"


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Um comentário:

Unknown disse...

esse compadre, é um dos caras q me fez respeitar as afinações alternativas. sou extremamente standard, e apesar disso sou fã do paulo, e acompanho na medida do possivel. além disso, posso dizer q é uma pessoa disposta a dividir conhecimento, isso p/ mim, corrobora p/ autenticar o talento q esse compadre exibe c/ naturalidade.
p/ quem ñ sabe, rogerio heleno, é a indentidade "secreta" do DON MORCEGO.